Em entrevista para o Diário da Manhã, Orlandinho diz: acho apenas que jogo bem, quem treina mais é que se sairá melhor

Em entrevista para o jornal Diário da Manhã, dia 29/03/2012, Orlandinho Luz (Cabanha do Ouriço, Prince, Nike) fala do retorno para casa para disputar um torneio organizado em sua cidade natal, alguns planos para o futuro e seus treinos na academia de Larri Passos. Confira abaixo a entrevista na íntegra:
“Quero ser o número 1 do mundo”

Filho único de Orlando Pereira da Luz e Adriana Moraes, Orlando Moraes Luz é carinhosamente chamado pelos amigos carazinhenses de Orlandinho. Aos 14 anos, é um dos melhores jogadores sul-americanos de Tênis em sua categoria, após vencer um dos principais torneios do mundo. Natural de Carazinho, atualmente reside em Balneário Camboriú, no Estado de Santa Catarina, onde treina com Larry Passos, ex-treinador de Gustavo Kuerten, considerado o maior tenista masculino da história do Brasil. Nesta semana em que irá disputar o 3º Open de Tênis – Clube Comercial/SM Construções/Lojas Benni, Orlandinho fala ao DM Entrevista sobre seus projetos para o futuro e de como é a sua rotina de treinamentos.

Diário da Manhã: De onde surgiu à vontade e o interesse pelo Tênis?
Orlandinho Luz: Comecei a jogar com três anos. Meu pai era professor e me treinou até dezembro do ano passado. Todos os dias eu estava no Clube Comercial, enquanto meu pai dava aula, eu ficava junto, juntando as bolas, batia paredão, eu treinava, mas aquilo era como se fosse uma brincadeira pra mim. Várias pessoas me viram jogar e me elogiaram. A partir daí comecei a gostar, me dedicar e querer disputar mais torneios, e torneios maiores.

DM: Quem são os seus maiores incentivadores nesta trajetória?
OL: Meus pais. Sempre me incentivaram e me deram todo o apoio. E é por isso que eu continuo jogando assim, eu jogo porque eu gosto, não jogo por obrigação. Todo o pessoal de Carazinho me ajuda muito, inclusive meus velhos amigos da Escola Princesa Isabel, escola que me apoiou no início. Meus patrocinadores, como a Prince, que disponibiliza os materiais esportivos, e a Cabanha do Ouriço, que desde o inicio me possibilitou jogar em alguns torneios grandes.

DM: Como tu te sentes em retornar ao clube onde iniciou a carreira de tenista?
OL: Enfrentei dificuldades longe de casa, longe dos pais, nos primeiros torneios que disputei com 12 anos. Agora, eu já estava mais concentrado. Isso fortalece muito a cabeça. É muito bom voltar a Carazinho, porque várias pessoas reconhecem o esforço e vem conversar comigo. Eu percebo que meu esforço não é em vão. Todas as pessoas querem ver meu jogo, dizem que eu sou o melhor, mas eu não sou o melhor. Acho apenas que jogo bem, quem treina mais é que se sairá melhor.

DM: Quais são seus ídolos no esporte? Você se espelha na história de vida de algum deles?
OL: Um deles é o Gustavo Kuerten (Guga), um ídolo para a história do tênis brasileiro, pois com ele o esporte passou a ser conhecido. Eu me espelho nele, e na história de vida dele, pois sempre foi um guerreiro. Fiquei sabendo que era um menino pobre, que perdeu o pai muito novo e teve que estudar, trabalhar e cuidar da mãe. Outro ídolo é o Roger Federer, ele joga muito, ele não tem nenhum defeito, o cara é calmo, habilidoso.

DM:Qual foi o título mais importante de sua carreira?
OL: Todos são importantes. Participei nos últimos meses de torneios na Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Paraguai. Depois, disputei o torneio do Banana Bowl e, por fim, a Copa Gerdau. Acredito que a Gerdau, foi um dos mais importantes, porque foi em casa e é um torneio internacional, reunindo diversos países. Hoje, a Copa Gerdau está entre os cinco melhores torneios de tênis do mundo.

DM: Que experiências você traz para sua vida quando participa de eventos de porte internacional?
OL: Algumas coisas que eu não fazia antes, fico observando o modo que as pessoas se organizam, aquecem, o trabalho mental pra administrar bem a partida. Porque antes eu era mais nervoso, acho que estou melhorando. Fico observando os jogos das categorias mais altas para aprender mais. Fácil é chegar, duro é se manter.

DM: Como é treinar com um dos mais conceituados técnicos do mundo?
OL: A primeira vez que eu cheguei lá, com 11 anos eu pensei que ele era um “bixo de sete cabeças”. Todo mundo falava que ele era brabo. E ele é bravo, às vezes. Ele trabalha muito bem, é um bom treinador. Ele é o cara. Eu só tenho que tirar o máximo de ensinamentos dele, por isso estou aproveitando o máximo possível enquanto estou lá.

DM: Como estão os preparativos para as Olimpíadas? Qual a sensação de estar entre os tenistas pré-convocados para participar de um dos eventos mais importantes do esporte internacional?
OL: Quando eu recebi a notícia eu fiquei muito feliz, porque não é qualquer um que vai para as Olimpíadas. É sinal que eles estão notando todos os esforços que eu estou fazendo. Agora, resta treinar cada vez mais, projetando o futuro. Estarei com 18 anos, e espero ganhar algum título, na verdade espero que o Brasil inteiro ganhe várias medalhas.

DM: O que você espera para o futuro?
OL: Quero ser o número 1 do mundo, além de ganhar torneiros grandes, como Roland Garros (França) e Torneio de Wimbledon (Inglaterra). Quando eu parar de jogar quero fazer faculdade, mas não pensei nisso ainda.

 

((Fotos Mariana Raimondi e arquivo pessoal.)) Butch Goring Authentic Jersey